sábado, 13 de junho de 2015

O Poder do Vento


O Poder do Vento

Se eu tivesse o poder do vento
levantava voo pelas planícies
fazia abortar todas as guerras

Se eu tivesse o poder do vento
bania a maldade  a crueldade
que reina pelo mundo

Abria o diálogo
em troca do terrorismo
na malvadez dos tempos

Se tivesse o poder do vento
sorriria
para a ingenuidade de uma criança

Daria mais felicidade
aos pobres e indigentes
e bania a miséria.

Pedro Valdoy

Ecos


Ecos

Os ecos
Soam como campainhas
através de montanhas
e rasgam o silêncio
da vitalidade humana

Atravessam minha alma
ensanguentada
pelo ardor de um amor
perdido na penumbra

São laivos de esperança
no sentir de neblinas
cobertas pelo coração
amargurado e sentido

Os ecos ressoam
e transportam uma flor
esquecida pelo tempo
na ausência de uma rosa

São a esperança
de um regresso prematuro
talvez desejável
para quem amou.

Pedro Valdoy


Dúvidas


Dúvidas

Acontece?
acontecerá?
estou perdido
na solidão da floresta

Estará a acontecer
algo de inútil ou útil?
Serei um mendigo fardado
Na perdição da cidade?

Estou confuso
o que vai acontecer?
Estarei no fim do caminho?
Parece um pesadelo

A Lua sorri
através da floresta
da esperança
coberta pela luz

Serei eu próprio?
Será o meu ego?
Algo aconteceu
e eu fiquei perdido no infinito.

Pedro Valdoy


sexta-feira, 12 de junho de 2015

O Milagre do Amor


O Milagre do Amor

Nos riachos do amor
Sente-se a ténue lua
pela vereda serena
de teus seios dilatados

As gaivotas entoam
voos na cedência
de dois seres irrequietos
de desejos incontornáveis

As papoilas deslizam
ao som do vento
pelos caminhos do amor
esquecidos na tempestade

Suaves são as brisas
no mar de namorados
que beijam suavemente
as areias movediças.


Pedro Valdoy

O Meu Poema


O Meu Poema

O meu poema
recheará o mundo
coberto de lírios
de rosas   de crisântemos

As aves entoarão
cânticos maviosos
espalhando a palavra
pelo mundo

O meu poema
saltitará das ondas
de um oceano sereno
com golfinhos brincalhões

A Paz ressurgirá
com ecos de amor
pelas planícies serenas
cobertas de verduras

O meu poema
espalhará pétalas
pelo infinito
de um calvário esquecido

Então as crianças
saltarão à corda
ou dançarão nos balouços
com uma ternura inolvidável.

Pedro Valdoy



Do Consciente


Do Consciente…

Ninguém é de ninguém
no deserto das palavras
no silêncio maldito
de um sofrimento gigante

A solidão palavra cobarde
ronda os bosques dos mártires
trespassa minha alma
no tapete branco

As paixões ténues
enveredaram por caminhos
numa leviandade desconhecida
no passeio da loucura

Tornei-me invisível
nos passos gigantes
rodeado de víboras
rastejantes odientas

A invisibilidade comum
transformou-me indignamente
num ser incorpóreo
na floresta do silêncio…


Pedro Valdoy

Dias de Inverno


Dias de Inverno

Ao cair da folha
pingos de chuva saltitam
em dias invernosos    frios    tristes
Carros deslizam por tempestades
sobre lamas em estradas esburacadas

Choques se verificam
Discussões
poluem o meio ambiente
já de si poluído
O amanhecer de uma cidade
triste    fria    invernosa

Agasalhados passeiam de carro
de autocarro e a pé
o gelo sente-se nos ossos
de quem passa e corre
para compromissos
donde depende uma certa
independência
um certo conforto
um certo sorriso

Mas impávido  sereno
lá vai o ciclista da minha rua

Pedalada aqui pedalada ali
indiferente às bichas
de carros e autocarros
indiferente ao frio e à chuva
indiferente a todos
Para ele a Primavera
dura todo o ano.

Pedro Valdoy



O Mar


O Mar

O mar
com suas divagações
reflectem as ondas
na sua dança
pelos confins
de um Universo
indeciso

os golfinhos
com suas tropelias
animam os marinheiros
enquanto os navios
seguem seu rumo

O Rei Neptuno
dá ordem
para começar o baile
e as sereias
entoam seus cânticos

As praias
sentem-se felizes
com o beijar das ondas
A paz reina
nos oceanos
O Sol brilha
enquanto as crianças se deliciam
com a sua ingenuidade
O sorriso dos pais
esquecem
certas amarguras
de uma vida
por vezes difícil

Os mares
embelezam a natureza
recheada
de animais marinhos
que lhe dão o poderio
e a força.


Pedro Valdoy

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Derramando Pétalas


Derramando Pétalas

São lágrimas de uma flor
envergonhada triste
que se sente só
na solidão da magia

Mas o consolo virá
e ficará alegre
com o beijo das abelhas
suas velhas amigas

Num jardim da minha infância
minhas pétalas dançavam
na minha ingenuidade
com o canto dos anjos

São palavras soltas
transformadas em pétalas
com o voo das águias
nesta bela natureza.


Pedro Valdoy

Porta da Saudade


Porta da Saudade

Por entre os lírios
crisântemos e rosas
indaguei pela porta da saudade
disseram-me que não sabiam
onde era

Por entre o vento
as nuvens e o Sol
disseram-me que não sabiam
da existência de tal porta
As lágrimas correram-me pelo rosto

Desesperado sentei-me
no rochedo perto da praia
Então do mar soou
uma voz arrastada pelas ondas
uma voz infantil

Seria a voz da minha infância?
Seriam os cânticos do passado?
Estaria ali o portal da saudade?
Então as ondas se abriram
e convidaram-me a passar

Ouvia gritos de alegria
e a saudade da minha voz
entrou de mansinho
levantada por um pedestal
Dali avistei o passado

A tua alma estava presente
por tempos recuados
talvez esquecidos
A minha infância dançava
por entre gnomos e duendes

E ali passei indeciso
coberto de recordações
de saudade em te ver
em espaços longínquos
no túnel do amor.

Pedro Valdoy




Minha Flor


Minha Flor

Minha flor do campo
Tuas pétalas
São o sorriso da minha alma

São a ternura
Dos sessenta por entre
A brisa de um passado

A sensualidade
De teu corpo irrequieto
Desliza pelas ondas do mar

O amor eterniza-se
Nas árvores frondosas
Do nosso bosque

A tua sensibilidade
Comoveu meu coração
Na concha entreaberta

As borboletas
Dançavam por entre as nuvens
Recheadas do teu afecto

O passado longínquo
Alargou nossos sentimentos
Levados pelo vento

Agora o teu regresso
Ao correr das pétalas
Neste mundo presente.


Pedro Valdoy

O Beijo


O Beijo

O congresso do beijo
começou intrépido
por ruas de lábios
flamejantes  indolores

A pureza estagnava
na vergonha atrevida
de seres sequiosos
no silêncio da calçada

A força do prazer
esvaía-se incolor
na travessa da cidade
pelo longo horizonte

O falatório brilhava
de palavra em palavra
de conselho intrépido
no volante da vida.


Pedro Valdoy

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Mar Celeste


Mar Celeste

Mar azul    celeste a brisa
no encanto    na magia
tuas ondas sobressaem
através do horizonte

São gotícolas de mel
da fada martirizada
em busca da criança
na solidão etérea


O pó das serras são grãos
na areia do mar sedoso
pelo caminho da ternura
na suavidade do vento

É a brisa na lentidão do amor
de dois seres na antecâmara
da praia na languidez irrequieta
ao Pôr do Sol sonolento

São folhas ocultas pelo Luar
na escuridão da noite
na fissura dos tempos
no descansar de uma rosa.

Pedro Valdoy


Bravura


Bravura

Ao pescador português

A bravura do mestre
bruxuleava entre as ondas
escamosas dos ventos
por entre mares bravios

Era a vida contra a natureza
incólume e fria
por traves do frágil barco
que teimava em resistir

Era o homem contra o mostrengo
no vendaval de vidas hesitantes
que mantinham hirtas e seguras
de través de pulso ímpio

O mostrengo rodava rodava
o pescador sorria na bravura
da pesca e teimava teimava
contra o perigo até à exaustão.

Pedro Valdoy




Linhas Escorregadias


Linhas Escorregadias

Na linha recta
uma árvore
Na curva
um cisne
Na beleza
da paisagem
na diagonal
o egoísmo
de palavras

No triângulo
de uma flor
No círculo
um bêbado
no desespero
da vida

Na concatenação
de palavras
o jardim
das papoilas
No silêncio
as sílabas
amargas
perdidas
no deserto

Na cidade
a confusão
o caos
na miséria
na riqueza
na incógnita
da vida.


Pedro Valdoy

Som de uma Guitarra


Som de Uma Guitarra

No dedilhar das cordas
na melodia da guitarra
uma voz serena e pausada
entoa o fado esquecido
da minha vida

Na sonoridade da minha alma
se canta o fado dedilhado
em palavras cobertas
pelo teu amor debatido
em prantos de uma criança

No solar a viola desgarrada
acompanha a tua voz
no fado paradisíaco  sonoro
por entre notas musicais
de letras encaixadas

O silêncio da metáfora
chora o fado encantado
por entre uns copos
cobertos de recordações
na voz que encanta o vazio.

Pedro Valdoy